CORPO: Francesca Woodman

Pai pintor e fotógrafo, mãe ceramista e escultora. No documentário “Os Woodman“, a mãe Betty afirma que “não conseguiria viver com quem não desse a mesma importância que eu para a arte. Eu simplesmente o odiaria”. Francesca Woodman aprendeu desde cedo que sua realização pessoal e seu papel social eram ser artista. Fotógrafa de mais de 10.000 negativos, sem ter o reconhecimento que buscava em vida, se suicidou com 22 anos (1958-1981).

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HISTÓRIA: protestos nus dos Filhos da Liberdade, Doukhobors

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Essa foto é de 1906. Trata-se do protesto de um grupo denominado Filhos da Liberdade, ou Freedomites, uma parcela mais radical dos Doukhobors, grupo religioso cristão. Os Doukhobors são originalmente russos e emigraram no final do século XIX para o Canadá, após uma onda de protestos contra o regime czarista. Entre outros fatores, os Doukhobors se recusavam a fazer parte da força armada do governo, e queimaram as suas armas em um grande protesto em 1895. Muitos Doukhobors foram mortos e torturados nesse período.

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“Burning of Arms”, pintura de Terry McLean. Fonte: Doukhobor.org

Residindo no Canadá, o grupo começou a enfrentar outros tipos de barreiras com o governo local, que entre outras coisas obrigava que os Doukhobors matriculassem suas crianças em escolas canadenses, passando inclusive a cobrar multa dos pais que não o fizessem. Os Doukhobors se dividiram entre conciliadores, que buscavam uma articulação política com o governo, e radicais, como os Freedomites, ou Filhos da Liberdade.

Os Filhos da Liberdade protestavam frequentemente nus, em protestos anti-materialistas, quando era comum que queimassem seu dinheiro ou até suas próprias casas. Por vezes também seus alvos eram propriedades do governo, como as escolas que seus filhos deveriam ser obrigados a frequentar. Em um protesto em 1953, 148 adultos foram presos e 104 crianças enviadas para um internato. Posteriormente, mais crianças foram levadas à força, com denúncias graves de maus tratos. Recentemente, em 2004, o governo local fez um pedido oficial de desculpas, que não satisfez a todos.

Os Filhos da Liberdade protestavam nus porque, para eles, como Deus criou o corpo humano, ele é mais perfeito em sua nudez do que as roupas, criadas pelo trabalho imperfeito das mãos humanas. Da mesma forma, todos os outros objetos (como casa e dinheiro) afastariam o ser humano de um contato mais próximo com Deus.

1962 - Uma Doukhobor "Filha da Liberdade" observa uma casa queimando. Fonte: Montreal Gazette

1962 – Uma Doukhobor “Filha da Liberdade” observa uma casa queimando.
Fonte: Montreal Gazette

Essa é apenas uma apresentação, a situação de um povo e sua história é bem mais complexa do que pudemos apurar e sintetizar em tão poucas linhas. Quem quiser saber mais, vale ver esse documentário produzido pela National Film Board do Canadá – instituição que deveria ser referência mundial em produção de conteúdo audiovisual de qualidade. No documentário, os Filhos da Liberdade são inclusive bem criticados por outros membros da comunidade:

CORPO: Ren Hang

O trabalho do Ren Hang é tão intenso e cheio de ideias, que colocamos um monte de fotos de referência pra série aqui (ele inclusive facilita bastante o acesso no site dele).

O fotógrafo chinês é reconhecido no mundo, e até um pouquinho na China, ainda que com um tom softcore e bastante censura.

Em uma entrevista à Vice Japão, ele comenta sobre a opção por retratar corpos nus: “Bom, as pessoas vêm para esse mundo peladas, e eu considero corpos nus como o visual original, autêntico das pessoas. Então eu sinto a existência real das pessoas através dos seus corpos nus.”

TEXTO: Renato Zapata

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INUNDAÇÃO, conto do livro ESTOPA, de Renato Zapata

Abortou o vazio que havia em si mesma. Sentiu a água se espalhando por dentro, e mais fundo, entregue a um riacho ardente. Ainda molhada ela tocou-se grávida, seminua diante do espelho, e logo ao dormir os dias regaram a sua barriga. Toda noite ela corava de alegria, transbordava em bicos de leite, encolhida no rímel recém-borrado. A maquiagem se dissolvia no aguaceiro e enchia-lhe o corpo com barro. Desmanchava a silhueta de menina, arredondava os traços de mulher. Foi sem perceber, com os meses ela foi deixando a vaidade de lado, amamentando-se da criança, ajeitava-se apenas para enfeitar o berço, as fraldas, pra tricotar os chutes do bebê. E quando no meio da madrugada o temporal estourou entre seus dedos, ela perdeu-se em lágrimas e gritou para que a levassem, me lavem, despindo-se a cada contração. Na maca do hospital – de pernas abertas, exaustas – o parto soprou-lhe uma menina. Ela recebeu a filha no colo e derramou o choro de mãe até se afogar. Inundava-se de nascer.

Encontrei o Renato na FLIP 2014, bebemos juntos até descobrir que tínhamos bebido juntos há uma semana atrás, durante um show do também escritor Thiago Che Romaro. Ele estava divulgando seu livro, ESTOPA, potência. Tomo a liberdade de transcrever aqui o primeiro conto, lindo, junto com o desenho da capa do ilustrador Rogério Bessa. Esse conto tem tudo a ver com o um dos próximos episódios do Corpo do Texto, vocês verão. Quem quiser adquirir o livro, pode falar com a gente ou diretamente com o Renato.

Assina Thiago Carvalhaes

CORPO: Traci Lynn Matlock

A fotógrafa Traci Lynn Matlock segundo ela mesma:

eu vivo e trabalho em Houston, Texas
onde eu faço caminhadas, colaboro e desejo um monte

eu acredito que minha memória é uma ficção;
ela deveria ser valorizada ao invés de acreditada.

Confira a beleza de mulheres tão diferentes, em um retrato de frequente dupla exposição (sem tratamento digital) e com uma pitada de sadomasoquismo.

http://tracimatlock.com

CORPO: Viviane Sassen

Viviane Sassen é holandesa e passou a infância no Quênia. É fotógrafa de moda e tem um trabalho autoral pesado com o corpo negro, com muita carga política, e já foi acusada de racismo.

Sobre seu trabalho de moda:

“Eu geralmente tento incluir meninas negras em campanhas de moda. Mas é difícil. Muitas marcas se escondem atrás do argumento de que isso não funcionaria para os mercados asiáticos. Talvez isso seja verdade, eu não tenho como saber, mas então penso: você também pode decidir, como marca, dar esse passo e fazer funcionar. Eu sigo tentando, mas normalmente eles não me permitem”.

http://www.vivianesassen.com